Talvez muitos não tenham percebido a importância da percepção da influência da moda em nossas vidas, por isso resolvi enfatizar o que parece ter ficado apenas implícito no texto anterior.
Nossa personalidade se forma a partir de um conglomerado de influências externas, sobretudo culturais, cuja seleção consciente ou inconsciente, nós mesmos fazemos. Ou seja, nós incorporamos certas influências e nos afastamos de outras por uma decisão pessoal, seja ela, mais uma vez, consciente ou inconsciente. A diferença é que, se a decisão é consciente, o sujeito tem controle sobre o processo e pode decidir quem realmente ele quer ser. Se é inconsciente, então ele jamais conseguirá entender quem ele está se tornando e nunca poderá mudar a situação para se tornar alguém que ele realmente gostaria de ser. E muitos são extremamente infelizes por esta razão, sem jamais apreender o motivo.
Dito isto, é fácil compreender que um dos pilares para a construção de uma personalidade autodeterminada e autodeterminante é entender o grau de influência que sofremos de elementos externos, como é o caso da moda. Se o sujeito acha que o critério de beleza que o faz julgar uma peça de roupa vem do fundo do seu coração e não de uma criação cultural cuja inconstância é a regra, ele está perdido no mundo. Porque, sendo incapaz de entender algo tão simples, como será capaz de avaliar o grau de influência de elementos muito mais sutis e cuja percepção exige um nível de atenção muito mais intenso?
Ou seja, sem perceber o que a moda faz com a sua epiderme, você jamais entenderá o que estão fazendo com o seu coração.